28 Julho 2006

it hurts to say but I.

Começo a falar com você e na verdade não sei se é isso que quero.
Gosto deste silêncio, do silêncio conciliador que se levanta dos nossos corpos esgotados, do silêncio que nos desobriga, desta mera pressuposição que um e outro, eu e você, fazemos da presença um do outro.
E só por isso continuamos, eu e você.
Só por isso nos encontramos traçando limites invisíveis quase inefáveis, quando nos desejamos tanto, quando o prazer se converte nas palavras que não se dizem, nem se sabem, e nem sequer podem chegar a pensar-se,
porque talvez com certeza não existam,
não fosse o fato de você saber que venho, e por isso continuarmos.
e de eu saber que você continuará, independentemente de mim, e por isso vir.
Vir sempre. Vir eu também. Quase sempre.
Quando me falta o tempo que não quero dar a mim e o dou então a você.
Gosto de imaginar o que possivelmente se revelará.
E nada dizer. Ou antes, nada te dizer.
Dizê-lo tão só por mim adentro, a partir do que me sugerem os sentidos e da percepção daquilo que se manifesta.
Gosto de vir e abraçar sem lógica essa explosão de sensações contraditórias, essa sórdida mistura de memórias tão longe da verdade e da invenção.
Prefiro esta nossa cumplicidade à amizade. Prefiro assim.

Gosto assim, das imagens que se imprimem na superfície de um espelho deformante, da profusão de frases insensatas, incensórias, da cúmplice partilha nas histórias do que os outros dirão ou não dirão;
e disseram, ou não disseram.

2 Comments:

At 2:13 AM, Anonymous marcelo said...

adorei o post.
como disse alguém, há muito tempo, no seu blog: vc escreve bem quando está amando. devia fazer isso mais vezes.

 
At 8:36 PM, Blogger Ana said...

e eu não sei daonde vcs tiram essa idéia...

 

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